O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

7.5.03  

PARÊNTESES



(Tem um amigo meu que estuda direito internacional. Ele está fazendo doutorado – ou algo que o valha – na França. O cara mora, vejam vocês, na Rue Thorigny, aquela do Musée Picasso, que – desculpem o termo – putaquepariu, é um dos melhores lugares do Marais. E o Marais, todo mundo sabe, é o melhor bairro de Paris.

Tive lá ano passado. Lá pelas tantas, n’alguma daquelas tardes cuja beleza está além do meu poder de descrição, o cara vem e me diz que é duro ser advogado e que a minha profissão é que é glamurosa; o maravilhoso mundo do cinema. Eu tentei dizer que quem morava num cenário cinematográfico era ele, mas o tipo engatou uma dissertação sobre como minha profissão tinha apelo com o público feminino e a dele não, e eu não argumentei mais. Dá pra acreditar?

Hoje, trabalhando, essa observação fantástica me veio à cabeça e quase me matou de rir.)



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RETICÊNCIAS



Eu trabalho como editor de som. Volta-e-meia edito vídeo também, mas o que me sustenta mesmo é o som. Hoje enquanto trabalhava, enxerguei um troço curioso: meu trabalho é fazer os outros parecerem mais inteligentes.

Vai o sujeito lá fazer um documentário e entrevista um outro sujeito que diz um monte de abobrinha. Depois, o filme montado, botam o cara falando em off enquanto imagens ilustrativas correm a tela. Aí entro eu, pra fazer aquele amontoado de idéias virar um discurso lógico e organizado. Por vezes, até bonito. É bem verdade que nem sempre sou eu que decido o que da zona original vai permanecer, mas quem monta as frases sou eu. Sou eu quem as pontua; boto ponto, vírgula, ponto-e-vírgula, travessão e parênteses no que o fulano diz. Aqui respira, aqui não. Pausa dramática. Muda o rítmo.

Um dia você vai ao cinema e vê o indivíduo falando eloqüentemente, discursando emocionado, defendendo com habilidade e segurança um conceito, e pensa: puxa, esse é um cara articulado.

Esse foi um ponto. Agora outro:



Você sabia, antes de eu dizer, o que é um editor de som? Você conhece algum? Diga o nome de um grande editor de som. Você sabe quem editou o som de seu filme preferido? E do ultimo filme que você viu? O que pensa um editor de som? E, sobretudo, alguém quer saber alguma dessas coisas? Claro que não! Diabos, não!!

As horas vão passando e eu vejo outro dia morto terminando, enquanto sonho com um próximo dia em que eu não precise estar trabalhando as palavras de outros em lugar das minhas, não precise vender meu tempo por isso que só me compra mais dias mortos e nunca dias meus; não precise estar fazendo outros falarem se meu anseio é falar e, por dentro, eu estou me contorcendo de vontade de ir pra casa escrever.



É um troço angustiante. Eles continuam jogando palavras fora e eu lá.

Voltando ao Céline dos dois últimos posts, como diabos eu posso me escutar se sou obrigado a chafurdar no barulho dos homens pra sobreviver? E assim a vida vai, passando de fininho, aproveitanto a confusão.



posted by franciscoslade 10:46 PM