O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

18.6.03  

DE RASPÃO.



Tava subindo minha rua. Voltava. Vinha, cabeça baixa, chutando; uma pedra portuguesa aqui e acolá, meu olhar penso, as besteiras satisfeitas que me passavam pela cabeça. Daquelas que se soltam do pavimento de vez em quando, as pedras eu digo, que nem lembranças. Passei na banca de jornal, dei uma conferida no mundo – pra ver se ele ia bem ou se era hoje que ele ia pro beleléu, e, quando ia passando a banca, eu e meu sorriso que o jornaleiro não atinou, percebi o velhinho. Atrás das grades, entre o edifício e a rua, tinha um daqueles bancos de praça e um velinho sentado. Até pensei, pra não repetir palavra e também pra ser mais respeitoso, em dizer senhor, mas não cabe, era velinho mesmo, um restinho de gente. A questão é que ele tava sentado com uma cara – e nem era só a cara, tudo – que parecia… não sei, parecia brincadeira. Mentira. Parecia. Que diabos, era muito desalento pra ser de verdade e não uma foto do Sebastião Salgado. Até olhei pra ver se não tinha lá o Walter Salles filmando. Como ninguém me xingou nem gritou aquele corta!, tive que aceitar que era vida real mesmo. E ficava lá ele, a cabeça pendendo prum lado os ombros pro outro, os olhos úmidos – mas de uma umidade baça como a da pupila que desesperançava; não reluzia –, os braços caídos, pesando no meio das pernas separadas, os pés pra dentro. Barba feita, mas deve ter sido outra pessoa: gente que olha assim, que vê aquilo, não se barbeia, não. Não era tristeza. Nada a ver; era desesperança. Tava de um jeito, que eu parei e olhei dentro dele e ele não me viu. Impressionante.

Fui seguindo achando tudo aquilo muito triste; como alguém pode chegar àquilo? De repende, doutro canto da minha cabeça, me respondi de supetão que triste não era aquele homem quase centenário olhar assim; era eu, só um quarto de século na mochila, já ter sustentado, melhor, ter insustentado aquele olhar uma dúzia de vezes. Ainda bem que logo achei uma pedrinha portuguesa solta da calçada pra chutar bem longe.



(Sorte que hoje eu tô bem tranqüilo: fiz a última prova do semestre e entreguei o projeto do filme de conclusão de curso – achei que não ia acabar nunca, foi foda – e, finalmente, tenho uns dias MEUS. Ufff!)



POR FALAR NISSO...



Será que alguém pode me dizer se gostou do novo template? Melhorou?







posted by franciscoslade 12:43 PM