O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

2.7.03  

PRA BOM ENTENDEDOR



Eu ODEIO a minha faculdade. Disse faculdade, desculpa, quis dizer ratoeira. Enfim, tava eu hoje lá na minha ratoeira; ia renegociar uma dîvida. Chegando na secretaria, reparei que a diferença entre o número que o mostrador vermelho indicava e o da senha que eu podia - e precisava pegar - era 95. 95 fudidos na minha frente. Bom, fui dar uma volta sem pressa e, mais de meia hora depois, voltei pra ver que o marcador só tinha andado 10 fudidos: 412. Olhei pra minha senha só pra conferir que ele ainda ainda marcava a mesma coisa, 497; era aquilo, não tinha jeito. Lembrei que tinha um livro comigo e fui me sentar com um sorrisinho no rosto - não devido ao livro, mais sim ao mais-fudido-que-eu que eu vi pegando o número 599. Inacreditável! É verdade! Coitado. Sentei-me comecei a ler. Foi até uma coisa legal no começo, porque eu lia em francês e, apesar de ter que me concentar muito no meio daquele inferno, eu tava indo melhor do que eu previra, dado o texto. Quando eu tava embalando, a velhinha 558 começou a falar do meu lado. Putz, que saco. Ela não falava com ninguém, mas era aquele tipo de colocação que se joga no ar esperando-se que alguém responda e comece um papo chato, daqueles em que só se fala a mesma coisa diversas vezes e de diferentes formas. Eu, que não dou pra isso - é impressionante que tem um tipo de gente que faz isso; no ônibus, na fila... -, pigarreei e fiquei na minha. Mas aí a velha comecou a falar tanto que o Beckett é que parou de falar comigo. Aí, fingindo que ainda lia, comecei a ouvir o que ela falava e, que coisa, vi que ela se corrigia falando sozinha! Tipo: Ai, que inferno, esse negoço (não tem i) não anda, essa coisa. Coisa não, fila. Já tô aqui desdidezi-meia, é?, é, dezi-meia. Peguei a, coméquié mermo? Dezi-meia. Ah, a senha, peguei a senha. Que inferno... e por aí ia. E a coroa não era maluca nem nada, era até bem normal (sem entrar em filosofias mais profundas, por favor). Daí eu fiquei pensando, que cretinice, mas fiquei pensando, como é que a pessoa erra ao falar consigo mesma? E, errando, pra que se corrigir se ela sabe o que 'queria' dizer? Pra que explicar? Será que ela entende melhor o mundo terminando de explicar as idéias pra si mesmo? Porra, então eu tô (mais) fudido, eu que sou cheio das meias palavras comigo mesmo, das meias frases, pensamentos inconcluídos, sempre achando que EU tô entendendo o que EU tô tentando dizer... Acho que o mundo deve ser mais fácil pra esse pessoal aí...

Depois de um tempo, eu que tava me segurando pra não mandar a senhora parar de encher porque, afinal de contas, como diabos ela podia ter chegado dez e meia e ser 558, se eu cheguei depois das onze e era o 497 (assim, um Penha-Cosmevelho)? Enfim, saí dali e fui lá pra fora: dois chatos se reconhecem e já tinha outro gaiato que resolveu entrar naquele papo de surdo... Repetindo, repetindo... e isso eu não consigo agüentar. Saco. Nem ler.


posted by franciscoslade 1:37 AM