O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

31.7.03  

UM BAQUE SECO



Pois então aconteceu finalmente, a lona. Depois de uma sequência de jabs e um baixo na boca do estômago, ela veio, a lona, como uma realidade incontestável. Ainda faltam alguns intantes pro seu beijo, mas as pernas já entortaram, e eu antecipo o contato frio; antes de contar ‘um’ vou estar lá. Olho o público, as caras, olhos e bocas ainda estão só começando a se abrir. A graça disso é que eu já sei o que vem agora, não tem como errar: o chão. Vou cair, as expressões vão se dilatar ao máximo; a cabeça bate e volta, as sombrancelhas deles finalmente me anunciam suas reações; o juiz se aproxima, vai começar a contagem, os gritos explodem em concordância com o que decidiram as sombrancelhas, polegares romanos pra cima ou pra baixo – não há meio termo; um-dois-três-quatro, avança contando, de dez não passa. O barulho é ensurdecedor. Agora é que a dor vai se mostrar inteira, fosse um novo soco. Daí em diante é que eu não sei; até que número vou permanecer lá embaixo, se vou conseguir levantar a tempo. Se é coma. Mas, eu disse, aí eu já não sei.



O tempo descongela. Tudo cai. TUM!



TUDO ISSO PRA DIZER…

… que fudeu de vez, agora é casa da mamãe. Me sinto o último dos mortais, humilhado, sem coragem de sair na rua. Derrotado. Vou ter que andar na rua de cabeça baixa. Agora, e até o dez, é com o juiz.





ASSOMBRADO



Hoje fiz duas pequenas viagens ao passado.

Na primeira, fui a SANTA TERESA, onde vive minha mãe e pra onde vou voltar depois de quatro anos. Santa é um lugar lindo. No entanto, foi aterrorizante estar lá. Só agora, hoje, foi que a ficha caiu. Ver que tudo mudou tão pouco, assutadoramente pouco, que eu pude perceber cada pequena coisa que tava diferente no bairro todo. Lembrar que eu passei 22 anos morando naquele bairro e perceber o quanto eu conheço cada detalhe, cada paralelepípedo daquelas ruas, cada mancha daqueles muros. Sem figuras de linguagem e sem exagero. E, principalmente, cado rosto naquelas pessoas.



Na segunda, fui ao MEGA, ‘finishing-house’ (como dizer isso em português?, finalizadora?) onde eu trabalhei por três anos. Quando ia pra lá todo dia e trabalhava feito um puto – até 27 horas direto –, me acostumei a pensar naquilo como um enorme monstro, negro de putrefação e bolor, em cujas entranhas eu vivia, entre o nojo e a asfixia. Contudo, o que encontrei dentro do monstro hoje – sim, é ainda, e mesmo em novos aspectos, um monstro –, o que encontrei lá, foi uma recepção até bastante acolhedora. Das pessoas que ainda estão dentro do ventre escuro da coisa.

Me surpreendi com uma quase-saudade.

Mas aí, quando eu tava indo embora, uma mocinha, cara enfiada no computador, me disse Até amanhã, e o troço passou.



posted by franciscoslade 8:57 PM