O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

27.8.03  

ORDINÁRIO



O cara ficava lá, pensando. Algo como que queria escrever. Ou que tinha medo de; talvez as duas coisas. Aí sentava em frente ao papel e tentava se imaginar como alguém que escrevia. Tinha muitos exemplos. Ia se esforçando em descobrir que motivação devia alimentar, o que alguém assim pensa?, como deve se sentir essa pessoa? Tinha inveja; imaginava como devia ser soberba a consciência do escrever. A sensação, Eu posso! Mas ele não podia. Pensava nisso tudo e não chegava lugar nenhum, porra nenhuma. Não sentia, sequer conseguia imaginar como era ser daquele jeito, ter aquele poder que lhe parecia tão inexato, tão extraordinário. Místico. Rá, não dava. Putaqueopariu. O que ele enxergava naquele papel branco era só uma parede. Uma muito próxima. E assim foi passando seus dias. Thirty Rounds of Six Bullets Each. Por que aquela coisa ali, grudada no nariz, que não o deixava ver nada? Não me deixa ver nada. Amassa joga fora, em branco mesmo, pega outro, nada. Ou melhor: parede. Olhando pra parede. Tudo era ridículo; nada mais comum que a vontade de escrever, nada mais normal que penar em frente a folha virgem; nada mais banal que não conseguir, mesmo pros que eventulamente podem. Muito lugar-comum. Até escrever. O que não era normal era enxergar que [Ela tudo lhes esconde, a vida, dos homens] [e esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação] [brotava espesso e escorria da carne aberta] [que há dentro de um nome] [quando escrevemos êsse nome que nos ensinam ser o nosso.] Pois é; isso, isso não é normal. Então um dia se cansou, e pra encerrar com um chavão – perdoem o trocadilho – sua coleção de mediocridades, lá, sentado em frente à mesa, abriu um rombo na cabeça. Nessa, todo aquele troço [é leite, sangue... não sei] que saiu dali espirrou na parede, que agora não era mais branca.

Se ele ainda pudesse olhar.



[quáquáquá]



posted by franciscoslade 4:15 PM