O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

29.8.03  

QUE BABACA...



... foi o sujeito que disse que 'a pena é mais forte que a espada'. Engraçadíssimo, ai, ai... Mas foi uma tentativa de compensação. Ou seria, hoje. Tava pensando: cada vez mais o mundo de hoje trabalha contra a inteligência. Não contra a informação, vejam bem, mas contra a qualidade dela e, acima disso, contra a inteligência mesmo, a capacidade associativa. O que eu queria saber é se sempre foi assim. Será? Nosso amigo Nelson Rodrigues prega umá ideia que eu acho particularmente divertida e na qual cheguei mesmo acreditar quando novo – quando mais novo, quero dizer: a Revolução dos idiotas. Assim: num determinado momento da história, os idiotas começaram – não sei se em grupo ou individualmente, mas isso não vem ao caso – a atinar que eram maioria; pra que ficar cultuando o gênio se eu sou um idiota? E todos os meus amigos? Pra quê? Se o meu pai é idiota, a minha mulher? 'A raça serve pra parir o gênio'? Ah, isso não. Hoje o gênio não tem mais valor, não o verdadeiro... Bom, talvez só o Romário... Enfim, eu até queria conhecer um gênio pra dizer Pô, cara, eu me importo! Os gênios existem – não, não acredito que essa mutação, essa aberração, vá parar de surgir enquanto houver o Homem –, contudo, mesmo reconhecidos, eles são cultuados e, em última análise, consumidos por muito poucos. Mas eis que outro dia na aula, concluí que, ao contário do que eu pensava, hoje não é mais difícil quebrar nenhuma convenção social ou revolucionar algum conceito artístico do que já foi em qualquer outra época; não procede aquele idéia – idiota, claro – de que tudo já foi feito; da mesma forma, tudo já tinha sido feito quando Giotto virou o pé do sujeito lá no quadro pra frente. E provavelmente, naquela época ele já escutava essa asneira. Seguindo esse raciocínio – eu não gosto muito de parágrafo –, fica claro que, ainda que de maneiras diversas, a situação do gênio sempre tem sido a mesma. Deve ser o comportamento humano mesmo. As formas de governo mudam, as leis, a tecnologia avança, a população mundial se multiplica, mas isso permanece. Como alguma sorte de relação que funcionasse como uma regra de proporção. Ah, sempre me lembro!, como eu tinha ódio quando a Tia Teteca lá do jardim dizia que "aqui ninguém é mais inteligente que ninguém"! Como não? Mais intligente que ninguém é ela! Isso aí é, no mínimo, uma injustiça! Se o Pedrão pode ser mais forte que eu a ponto de parecer que tem 12 anos no jardim de infância, por que eu não posso ser mais inteligente que ele? E as pessoas acreditam nisso; se chama 'pedagogia', eu acho.

A pena e a espada, né? É, eu acho que o cara que inventou essa daí precisava acreditar nisso pra dormir sossegado. A espada, caro amigo, é um best-seller, todo mundo entende. Já a pena...


posted by franciscoslade 1:23 AM