O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

28.9.03  

VITROLA



Outro dia, Largo do Machado. Eu. Andava: e se eu cair aqui agora? Só tropeçar e não levantar? Aí caiu. Todo mundo continuou andando normalmente. Uns dez minutos, veio um:



– Amigo? Cê tá bem? Oi? Psiu?!

O caído não respondia; parou outro:

– Que foi? Ele tá bem?

– Não sei. Estranho... Ei! Ô! – sacudiu o sujeito – In, cara... acho que ele não tá bem não.

– Tá respirando?

– Não. Mas não tá frio. Também não tá quente: existe 'temperatura ambiente' nisso?

– Sei eu... Tá duro?

– Tá... Engraçado, – e sacode mais um pouco o cara no chão – o peso tá diferente...

– ?

– Mas não parece que ele morreu não... é mais como se tivesse desligado. Acabou, sabe?

– Iiiihhh! Eu, hein! E se aproxima mais do troço pra observar com atenção. CREC! Pisa por acidente no dedo do apagado – Nossa que barulho esquisito! – Pega o mindinho na calcada e analisa: – Olha só: quebrou que nem plástico. E tá oco!

– Por isso que tá leve!

– Será um boneco?

– Não, que eu vi o cara caindo... Achei que ele fosse levantar e tal... Aí demorou muito e eu vim ajudar. Deixa eu ver...



Numa operação complicada o primeiro tenta levantar aquilo que era homem, fôrma – não sei –, e olhar dentro do buraco deixado no lugar do dedinho. Como o corpo não é mais tão pesado e está rijo, ele consegue espiar por ali. Mas orifício é muito pequeno e ele nada enxerga:



– Ah, acho que vou quebar mais um pedaço, CRAC, aqui no meio do braço deve dar, pra ver melhor... É, parece... Mas tá escuro pra ter certeza...

– Vou quebrar o outro braço pra luz entrar: CRÁ! – E agora?

– Rapaz!, não é que tá oco mesmo!?

– Deixa eu ver!

– Ih, quebra outra parte pra cê olhar, não, aí não que é a luz..., tenta a perna: isso.

– Cara, é mesmo! Oquinho! Olha isso: ALÔÔÔUUU!!! Hahahaha!



E o outro se divertia escutando o eco: – Hahahaha! Vou tentar!: TEM ALGUÉM AÍ? Hahahaha

– Hahahahah! Cê já tinha visto disso?

– Pra mim é novidade!

– Pra mim também...



E largam o oco no chão. Ficam olhando o troço, pensativos.



– Se bem que um amigo meu me contou que viu outra coisa quase tão estranha... Quando era pequeno, ele tava andando com o pai e viu um sujeito desmontar e cair aos pedaços na rua...



[...ver 14.04, 15.04 e 18.09]


posted by franciscoslade 1:45 AM