O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

13.10.03  

MELODRAMA



Ó o bucha:. Essas hora andando por aqui, co'essa cara de mané. Vai perdê. Tava mermo numa de fazê um ganho. Porra, tô precisado. Tênis manêro. Vô pegá também. Ih, o otário vai entrá na Cardeal. Já é. Cadê o Mosca, filhodumaputa!, sumiu co'meu berro. Comé qu'eu vô apertá o comédia sem o berro? É, porra, pra intimidá; esses bostinha fica tudo se cagando de medo. Molha as calça, chora e o caralho. Vai tê qui sê de faca mermo. Qualqué parada, furo ele. Né novidade, também. Num gosto. Mas também num vai sê o primêro. Isso é, vai sê: o primêro sem o berro. O berro é bom que num suja nada, n'precisa chegá muito perto e coloca mó moral: além do ganho, inda gasto onda c'o plaibói. E si us verme aparecê, posso arrepiá. Qu'em cana num vô – nem fudendo! Ó só:, o maluco é muito otário mermo: andando aqui vazião e nem olha pra trás; nem tô seguindo de longe. Até merece, se eu passá ele. Vou mandá agora:

– Aí, primo, dêxa eu ti dá uma idéia!



[ele ouve: imediatamente, vira-se, o outro está a um passo. não dá pra correr. ele estava destraído. tanta coisa na cabeça, que não percebeu. se amaldiçoa. e ainda outra vez. fica nervoso: é natural, em uma situação dessas. dá mais um passo:]

– Aí, plaibói, pára aí!: perdeu!



[Mais um passo,]

– Nem pensa! Paradinho!



[o outro avança, um movimento rápido. seco. segura-lhe o braço e puxa a faca:]

– Perdeu, mermão. Já era: dá as parada aí, relógio cartêra, celulá... Vai passando.

– Não tenho nada. Rolou um problema, saí com pressa...

– Tá zoando, irmão? Dá os lance agora. Eu te furo!

– Desculpa, cara, não tem nada...

– Iiiiiihhh..., anda cacete, tô m'irritando!



[... o que, então? também não sei. apenas narro a história. por algum motivo ele diz:]

– Quer saber? Não acredita, então foda-se.

– Ih, alá:, mermão vô t'istrepá, porra! Dá as parada!

– Porra, não tenho!



Ele pirô. O cara pirô. Tá pedindo. Já é: vai tê.



[outro movimento rápido, a faca funda no abdôme, a carne lambendo a lâmina fria. sua camisa cola na pele, empapa. espanto. dói a beça, me parece. o assaltante enterra o metal outras duas vezes e recua devagar – enquanto ele desmonta devagar, caindo sobre a poça de si mesmo que umedece a calçada.]

– Viu, mané? Viu, porra? Eu avisei!



Porra, num é qu'o cara num tem nada mermo? Caralho. Pelo menos vô levá o tênis. Bucha. Coitado: si fudeu.



[o assassino já ia se afastando, quando sentiu alguma coisa puxar-lhe a barra da calça: virou-se. era ele, que agonizava no chão.]



Ih, inda tá vivo, é? Dêxa ele aí. Saí fora.



[mas o moribundo parece chamar seu algoz, como se quisesse dizer-lhe alguma coisa, cochichar em seu ouvido. o bandido se abaixa e tenta escutar o que ele se esforça em lhe dizer:]



– Num ouvi: o quê?

– Obrigado.



– ...



posted by franciscoslade 6:02 PM