O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Seu dinheiro de volta!

15.11.03  

SE QUISEREM UM BOM POST



Leiam o que está logo abaixo, POST-COITUM. Se bem que, depois de tanto que fizeram pouco dele, nem. Foda-se. Mas agora vou é discutir:



MATRIX PRA NÃO-IDIOTAS



Primeiro vocês devem ir a essa coisa e ler o texto Matrix Interpretations. Depois, leiam o que eu digo:



Matrix Revolutions é justamente o que mais pode se afastar de uma 'revolução'. Reloaded, apesar de ser um filme fraco – cinematograficamente falando –, até tem algum desdobramento filosófico (nada que se compare à maravilha que é o Matrix, claro). Mas, nesse novo, nada. Pelo menos, não na linha do primeiro.



Explico por que: tudo fica muito claro em Reloaded. Todas as conclusões que, no texto Matrix Interpretations estão em azul – que são, obviamente, as únicas que fazem sentido – podem ser apreendidas no Reloaded, por isso, esse terceiro funciona como aquele cara que explica a piada pra quem não entendeu. Outra: a clara analogia Neo-Jesus (que, agora vejo, existe até no nick do Sr. Anderson) é babaquíssima e joga no lixo todos os pressupostos nietzschianos do primeiro filme.



Nietzsche justamente nos diz que o maior erro é a aceitação da teoria da outra face, que é o que se defende no final de Revolutions. Meio como Parcifal, do Wagner, que, de certa forma, nega idéias antes desenvolvidas na obra do autor. Prefiro não pensar que toda a idéia da saga Matrix já existia à altura do filme original. Senão, é tudo muito maquiavélico. Senão, vou começar a acreditar que Matrix foi produzido pelo Vaticano. Propaganda, onde a matrix do filme serviria pra desviar pessoas que pudessem enxergar a Matrix-da-Outra-Face de uma descoberta, dando-lhes uma imagem enganosa de verdade a ser descoberta pra afastá-los de um questionamento relevante. Como um reload na Matrix-da-Outra-Face, reformatando as cabeças dos plugados pra eliminar certas possibilidades.



Se um 'escolhido' existisse de fato, precisamente a atitude que ele não poderia ter é a da outra face. Porque mitigar a força do homem? Pra evitar um fim? Por quê? Tudo acaba. Nós acabamos. Isso não é ruim. É que nem Ecxtasy: não adianta tomar uma atrás da outra, a função da droga é te devolver ao 'estado normal' pra gerar questionamento. Senão, vira morfina. Pior. Vira uma Matrix. Como paradigma de força, Neo deveria tentar ficar forte o suficiente pra derrotar as máquinas. Ou morrer tentando. Neo não pode ser sobre-humano, mas sim humano: humanamente sobre-humano, como um homem de vontade poderosa o é. Não se pode tirar a responsabilidade do homem. Nem a responsabilidade nem a escolha. E Neo abdica da escolha. E assim, da responsabilidade.



Pensamento corriqueiro, o nosso amigo do texto Matrix Interpretations diz: "está claro que o Escolhido está além de um mero corpo físico" "E pelo amor ele lutou até o fim" "Conhecemos outras figuras histórias e bíblicas que lutaram pelo mesmo. Sabemos qual foi sua mensagem. Neo entende apenas no final, que não adianta lutar mais. Não é pela força que vai vencer, não é destruindo que vai construir o futuro. Ele se entrega, e os poderes maiores o dirigem ao seu destino." ASNEIRAS. Abaixo o Mundo das Idéias de Platão. Assim, a saga Matrix vira um Reload da Bíblia. Dê a outra face. Será isso, então?



Concordo que a única solução possível pro confronto do filme foi a adotada, mas isso por que o filme tomou caminhos que determinavam isso. Porque Neo não foi lutar e morrer em Zion? PRINCIPALMENTE, por que não se escondeu pra desenvolver seus talentos e acordar outros humanos até ficar forte o suficiente pra derrotar as máquinas? Que deixasse Zion perecer: Zion era mesmo uma peça do sistema das máquinas. Da forma que o filme terminou, é como se Neo tivesse entrado na outra porta no final de Reloaded. Dar prosseguimento a uma humanidade condicionada e subjugada.



Pros que não entenderam, exste sim uma Matrix fora da Matrix, mas ela não é feita de numerozinhos verdes, mas do controle indireto e lógico que as máquinas têm dos humanos. Como um aquário: não sabemos tudo que vai acontecer, mas controlamos as probabilidades. E Neo acabou embarcando nessa nova Matrix. Que deixasse Smith destruir tudo! Uma nova força destruir o estabelecido, a roda da história girar. Um dia surgiria, mesmo na Matrix de Smith, alguma forma de anomalia, de 'escolhido' que se oporia ao todo. Contraposição. Embate de vontades. Essa é a síntese da história. Nenhum poder é absoluto. Por que criar um deus absoluto? Será que não é claro que o Homem criou Deus?



No final de Matrix (o original), fica implícito – acho mesmo que explícito – que Neo poderia fazer tudo. Tanto era o que poderia fazer que não precisava ser mostrado. Só indicado. Poderia até mesmo ENTRAR no Smith e destruí-lo. Poderia criar e destruir coisas, voar, se multiplicar em milhões, mudar a cor do céu, criar vida. Como o Homem deu vida a Deus. E a Ulísses e a Dirty Harry e ao Pinóquio. Como constriuiu e modificou o mundo. Seria a retomada do Homem de seu poder original. Depois, nas sequências, diminuiram-lhe o poder pra que ele tivesse que se submeter a poderes maiores – e pra que o filme pudesse continuar. O sujeito lá do texto diz "Ele se entrega, e os poderes maiores o dirigem ao seu destino", ou seja, tirando do Homem o poder: escolha e responsabilidade: vontade. Não há poder maior. Nunca houve. Mas essa é a idéia que a Matrix em que vivemos, a da Outra face, dissemina.



Mensagem clássica de filme pipoca americano. E de tudo, geralmente. Nada mas faz que reforçar a Matrix-da-outra-face, que as pessoas são incapazes de perceber. Quanto mal ela nos faz... A utilização feita da figura de Jesus é o ódio travestido de amor.



"Neo" became "Old". The same old bullshit. E tenho dito!



[Se alguém teve colhão – paciência mas também coragem – pra chgar aqui parabéns. Se teve cabeça aberta e inteligência pra entender, melhor.]


posted by franciscoslade 3:02 AM