O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

8.12.03  

[um pouco diferente, hoje]



E AINDA MUITOS OUTROS



Eu gosto. A caixas vibrando, machucando meus ouvidos, estuprando minha audição; o grave golpeia estômago e treme o chão. Faz as gotas de suor se soltarem das pontas dos cabelos, caírem. Mas elas se evaporam antes de tocar o piso. O cabelo, a roupa, empapados. Chapado. Eu, muito; é difícil separar temperatura e som – e doce não tentar. Separar porra nenhuma! Danço, as pálpebras coladas, um monte cores passam por elas misturadas, manchando meu escuro particular num troço muito estranho que ora se disolve em estrobo, pedaços de pernas femininas nuas e o orifício da lata de cerveja. O cérbro calafria-se, derrete até ser só um receptor de sentidos e sensações. Tom e intensidade. Mas, no mais das vezes, ando. Olho. Entre o ofício de desejar e desprezar. Sempre sem entender. Mas distorcendo tudo ao meu bel-prazer, até me parecer fazer sentido. Pelo menos pro meu julgamento imediato.

Então eu ando. E vejo ela, ora quem diria, quanto tempo. Lembra? Lembro. Largou do meu amigo pra ficar comigo e de mim pra ficar com todos. Ia. Sorte que eu largei antes. Mas cheguei a chorar, eu acho. No entanto, pode ser só invenção, minha e da skol. Hé. eheheheh... ah, é engraçado. Hoje não sinto a menor vontade. Dela, eu digo. E tem lá um otário com ela, crente que tá abafando. Será que ele já sabe que ela só é boa assim de roupa? E que ela é a mulher mais disponível do Rio?

Chego perto e cutuco. Hé. Não falo. Ela, abraçada, beija o cara: aí vira. Oooi! Oi. As banalidades usuais. Pessoas são sempre assim. Evoluímos mais um pouco de nada. Aí ela me diz que aquele é o namorado novo. Acho que é o terceiro depois de mim, mas eu fui muito pouco. Belezzz? O cara responde, Beleza., e vira pro lado, braço na cintura dela. Ela diz que tá apaixonada. Ela sempre diz isso. Diz que agora encontrou o homem da vida dela, agora fudeu, ela tá muito feliz e que a vida dela mudou. Ela acredita mesmo... No meio de uma de suas idiotices, enfio a mão com força e violência no meio das pernas dela. A calça dela é de um troço fininho. Boceta. Tudo ali. Começo a massagear os lábios, calcinha, clitóris. Ela recolhe o sorriso por menos de um segundo – ou é a skol – e troca por outro, meio riso, meio trincardedentes. Eu sei que é bom e ela também. Cartada arriscada. O cara é o dobro de mim, louro, com cara de mané. Com uma palavra, ela podia fazer ele me quebrar. Ia ser fácil, do jeito que eu tô. Mas eu tinha certeza. Minha mão. O braço na cintura dela. Ela não diz nada. Eu tenho um pouco de pena. Mão. Na boceta dela.

– Você não mudou nada. O mesmo filhodaputa de sempre – sorri; ela me odeia.

– Nem você – aperto o dedo, entra um pouco – Né?



Um tchauzinho cínico, continuo adiante.



Dançar mais um pouco, e, além disso, a lata tá vazia.



Mas, depois disso, já não tenho mais raiva dela. Agora, eu até gosto.



Um pouco do cheiro dela no meu dedo.









posted by franciscoslade 1:26 AM