O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

7.3.04  

HERMÉTICO



Esse aqui é um repeteco. Fiz pro blogautores, pr'uma edição em que todos nós tínhamos que escrever 'inspirados' por um imagem determinada pela editora da vez. A imagem que me coube foi um quadro do Basquiat – a tal cabeça. Acabei gostando dr resultado da experiência, apesar de. Agora coloco ele aqui no blog pra ver se ele funciona – ou se continua sem funcionar, mais provável – sem o quadro. Só texto. Pedras, por favor.



CABEÇA



Que bosta de coisa é uma pessoa? Pessoa, fragmento [ele não sabe a diferença] ri e chora. Enquanto [ele sempre.] Palavra, gesto, imagem, a sua, porque a minha não. Conceito, nunca. Algumas que já são só memória, imagem do tempo sedimentada e distorcida. Por você. O que escreve ou o escrito? Dois espelhos. Num, dente-dente-dente, branco do olho. Olhar evelhece rápido: dia passando na pele. Noutro, só eu. :Dói… Não tem como saber. Pior: ou tem. Num, cabelo que vai, vem, enobrece e avilta na mesma; vinco, trincado de uso, dobra por cansaço da matéria, repetição. Noutro, sala vazia, na janela é só céu. Branco – sem profundidade, já viu? [a coisa mais complexa, ele achava] E poeira nos cantos, chão de taco seco e descascado; vaziobocal da lâmpada pende de um buraco no teto. Não tem mais memória, só tempo. Nem porta. :vinco, trincado de uso, dobra por cansaço do conceito, repetição. [observa. alguém pergunta alguma coisa, o vento leva. um dia, acaba. mas nunca dá pra saber: de longe nem se imagina] O que é, a pessoa? O que entende ou o que não? O que quer ser entendido, grita ou o que se orgulha, espinho? E isso, é pra que? Você entende? Então me diz, me diz alguma coisa que eu não ouvi, uma verdade-sua, uma pergunta com finalidade e intenção. Me dá um oquê, um porquê ou um dia. Depois foda-se, me esquece, me bate, cospe, xinga. Não me importo, tá certo. Já tive o que. Eu não sei dizer: se tô falando muito ou nada. Eu mesmo: não decido. Muito: deve, porquê dúvida é um troço sincero. Mas acaba que resvala na barreira dos dentes. [contam uma piada engraçada. ri. depois espreme a vista lá longe onde ninguém. ele não deixa!] Dois espelhos e as duas imagens. Uma, só se gasta. A outra escurece e se ilumina, mas eu acho que a parte clara acaba antes do final. E ambas se cansam rápido demais. Dois espelhos e os dois me envergonham. Não gosto! Queria pedir pra você ir embora; cê me quebra esse galho? Quanto tempo ainda? Vamos ver.

Parar por aqui.

[alguém pergunta alguma coisa. ele responde Atrás daquele morro.]







posted by franciscoslade 3:20 PM