O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









Livros publicados

Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

0




Para ler também

A menina no deserto
Recheio de quê?
Malandro é o gato
Prosa Caotica
Wry
Pariscope Blues
Encefalopsia
Suum cuique
moca
Verborrágica
bináriogeral
ainda ela
Natureza complicada
mundoestranho
Paralelos


Arquivos




This page is powered by Blogger.

















Seu dinheiro de volta!

12.3.04  

NÚMERO



– Você sabia que uma pessoa em cada 124 corre sério risco de entrar em combustão espontânea?



1) Se ela soubesse o quanto eu esperava aquele maldito beijo que eu pedi tão sem jeito e que ela demorou a me dar:. Ela fala muito. Do quê, boa parte é interessante. Mas às vezes eu não ouço – eu tenho esse problema, no meio de uma conversa, de repente, eu começo a ouvir minhas idéias, ver passar minhas palavras e não vejo nem ouço mais nada, um seletor, algo do gênero, clic!, escolheu e pronto, só amanhã. Aí a pessoa fica ali mexendo a boca na minha frente e eu mais nada, outro lugar, coisa nenhuma. Mas naquele dia, eu nem via nada, só ela. Idéia nenhuma. Mas também não escutava. Ela ria – como ria!; isso me fazia tão bem. Daí eu falava qualquer coisa, torcendo pra ser o mesmo assunto, aquele de que ela tratava. Pra ela não parar de rir. Nunca.



– Você sabia que um homem em cada grupo de 263 pode desmontar até os 30 anos?



2) O menor humor. Nem o mais ligeiro. Caso único. Nunca vi. O desenho animado. Meus trocadilhos idiotas. Minhas músicas ruins. Nunca graça. Mas gostava muito de mim. Não ria, mas sorria muito pra mim. Jamais de mim. Não entendo. Como ela pode gostar de mim sem achar nada em mim divertido? Como ela pode me querer sem isso? Como ela pode não ter um ridículo? E eu, cheio dos meus. Mais e mais. E mais e mais ela sorrindo, o os olhos brilhando pra mim. Não entendo. Vou ter que acabar com isso. Porque não sou isso que ela ama – que afinal, é o quê?

Gosto tanto dela. Pena.



– Você sabia que um cara em cada 2200 pode ficar oco sem mais nem menos e simplemente cair no meio da rua?



3) Ela sempre escreve coisas que eu não entendo. Entendo, mas errado. Entrevejo outras coisas, outras idéias diferentes daquelas que ela tinha ao escrever o troço. Entendo menos ainda quando ela explica. E antes de saber – depois também, o tempo todo – eu torço pra ter entendido, não, pra que o que eu tenha entendido seja o que ela quer dessa vez. Quero mesmo é que ela queira o que eu quero. Pra ver se eu quero mesmo. A vida é simples. Estatisticamente simples. Matémática, loteria, cada um a sua própria bolinha da roleta no bolso. Só precisamos ter cuidado pros números não nos cairem na cabeça.





– Você sabia?



Eu) Acho. Mesmo. Que se ela. Alguma delas (eu transformo todas numa só), tivesse alguma vez me perguntado Que tipo de sujeito é você?, eu teria dito. Que não sei se sou um cara legal. Que não acredito nisso. Que não sei se valho à pena – e que não necessariamente quero descobrir se. E que se ela por acaso o fizer, que não me diga. Que sou bobo. Tivesse alguma vez me perguntado. Que tipo de sujeito é você? Eu provavelmente teria dito a verdade.

Que sou daquele tipo de homem que se esforça pra não chorar. (ela diria: Mas chora, esse negócio de homem-não-chora não existe!, pode chorar!)

Mas o tempo todo, cada minuto.



– Um a cada 10000. Nesse caso.



[na cabeça.]



Onde é que ela aprende esse tipo de coisa?





posted by franciscoslade 12:33 AM