O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

5.3.04  

SOBRE A MANGA – BURACO



: Suco.

Liquidificador, ligo, monto o copo.

Da geladeira, a manga.

Cortes bem justos, próximos à casca:

mais dela pra mistura.

Pele se solta,

cai no prato,

e a carne amareluz forte, desnuda,

umedecendo

a lâmina,

escorrendo,

a cada pedaço de vermelho

que se desprende e que não mais

a escurece. Esconde.

Será a manga a manga ou o que a faz manga, açúcar, vitamina? Aquilo que pendia das árvores da minha infância, sujava o chão, machucava; que perfumava o bairro todo, me adocicava a boca, e que a molecada toda, eu, roubava? Ou o que aquele homem, que por ignorância chamo apenas cientista, vê no microscópio, na equação química?]

Nesse ponto

aqui

a carne me parece mole, ansiosa.

Por se abrir. Faca:

desabrocha o ventre podre.

Outro cheiro, gosto, textura, cor. Outra coisa? Arranco um naco, extirpa-se o olho marrom e mole. É a manga o que sinto na língua, no olho, no estômago? Ou é qualquer outro troço que eu não sei ver? O que faz da manga a manga? Não é o amarelo exagerado, os fiapos entre os dentes, a dor de barriga de criança gulosa? E]

o pedaço

putrefato

que ora descansa na louça, não é

tempo,

marca do dia,

queda, mundo?

Estado da forma e também do conteúdo, mudou tudo. Se não fosse o amarelo, o fiapo, a dor, a infância, seria a manga? É que a forma faz o conteúdo, assim como o conteúdo determina a forma. Não? Achava. Mas saber… Toda a fruta, em pedaços, agora dentro]

do liquidificador,

o marcador corre desl. pra 1,2,3, até o 5.

Sempre me foi conforme,

o máximo.

E o amarelo

estria a água, raia o jarro,

toma tudo.

Nem Van-Gogh. Agora uma coisa só. O quê?

Já nem sei mais separar, fiapo-infância, carne-dor, chão sujo.

Perfume que não descansa,

dia que não decanta.



Propósito

e fim.



posted by franciscoslade 12:01 AM