O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

20.4.04  

TRÊS



Uma moça ao meu lado no cinema. Mas eu não tô sozinho. O decote lateral da saia dela repousa petulantemente próximo à minha mão esquerda, que, por sua vez, impacienta-se sobre o braço da cadeira. O corte morre a apenas dez centímetros da cintura da saia preta e é uma coxa inteira que sai por ele pra quase-encostar na minha apreensão. A outra mão, por sua vez, descança na cadeira a direita, sobre o colo calmo e acolhedor de outra moça. A moça da esquerda se mexe e agora sua coxa quase nua está tão próxima que seu calor me faz suar a palma da mão. A moça da direita protege minha mão – que a essa altura me parece mais dela – com as suas; é quase um ninho. Minha garganta arranha um pouco. O filme continua e eu não saberia dizê-lo bom ou ruim. Mas parece que se arrasta; metade da velocidade, no máximo. Na cadeira a esquerda, o filme passa na carne da moça; cada cor fielmente relfetida, a trama de luz e sombra na pele luzidia. O braço da cadeira se umidece com meu nervoso. Do outro lado, algo no filme faz duas mãos macias se crisparem em volta da minha, em busca de proteção. E minha mão direita também sua agora.



Duas promessas tão diferentes. Duas cobranças.



E eu, que desde de pequeno suo nas mãos.


posted by franciscoslade 11:42 PM