O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

18.5.04  

ANTES DE TUDO, QUERIA DEIXAR CLARO MAIS UMA VEZ:

EU NÃO ESCREVO POESIAS.

QUANDO MUITO, FRASES QUEBRADAS.





Não sei bem como começar.



Podia vir aqui e dizer

a verdade.

Sobre um homem que virou ar.

Alguém que ficou preso

num minuto que passou

e passou

soterrado

debaixo de muitos outros minutos

e dias

e anos.



Ou contar

sobre a vida

– você sabia?,

ela carrega sempre uma garrafa de cerveja pela metade

e sorri pra qualquer um,

mas

eu simplesmente não consigo ficar no seu campo de visão.

Ela me parece muito cansada,

mas tem sempre um brilho qualquer

no rosto delicado

que é uma troça do meu –

de traços finos e,

contudo,

mal-lavrados.

Ela atende um telefone,

um outro alguém a olha de longe,

com pesar;

e eu nem faço parte da história.

Podia vir aqui e dizer qualquer coisa.

Mas minha cara-de-pau

já não é bastante.

Muito menos pra verdade.



O peso da inexistência,

o peso do não,

o anti,

mantem minhas costas curvadas,

minhas mãos roçando no chão

e meus pulmões, vazios de certeza,

não têm senão esse assunto,

sempre o mesmo –

você não se cansa,

não se exaspera em vir aqui?



O que quer que eu diga

me deixa a boca,

a barreira dos dentes,

de um só jeito,

enfadonho,

monocórdio.



VAI! AGORA! VAI EMBORA!

Enquanto ela ainda te deseja!

De ombros soltos, altiva, embriagada!

Descalça no palco de madeira,

ela e sua nova meia-cerveja.



Me deixa aqui,

debaixo dos anos,

e das verdades que não têm mais uso:



Juro, não digo mais nada.

Nem posso.



Um fantasma me estrangula.


posted by franciscoslade 2:43 AM