O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Seu dinheiro de volta!

4.5.04  

TÍTULO AQUI



Uma casa

é sempre muitos fantasmas

que prefereriam poder se esbarrar

no corredor

os mortos, não-nascidos, os evitados

os ventres largos dos

esquecidos

a magreza

angulosa e agressiva

dos odiados

os gritos surdos

dos vivos.



Falam, todos

caminhando pela casa

não se enxergam

sequer sabem

uns dos outros

ocupados em evitar os próprios fantasmas

mas esses não se acumulam nos cantos

de paredes mal-caiadas

tacos soltos

só nos cantos

dos olhos.

Então os primeiros falam

na esperança

de que as próprias vozes

os façam palpáveis

ecoando nos cômodos vazios

pra si mesmos

em si mesmos



sua carência de provas.



E mantêm sempre

os fantasmas, uma distância

constante

mas nunca segura



uns



dos



outros.



O equilíbrio pouco

regular, equidistante

de quem se evita

e se busca

com a mesma força

– sempre muito pouca

e tanta.

De quem se evita

se buscando.



E eles comem

sempre

e bebem

por vezes, amam

e tudo lhes escapa

cada vez

vazando pelo estômago espectral

intangível

de fantasma;

a comida vai alimentar as baratas

a bebida, as pegadas

e o amor

mancha o piso.



Tudo transpassando

a bolsa de couro

que não se enche nunca

a bomba

que transborda de cansaço

e sujando

o chão da casa.



Devolutos

úmidos de vazio e concupiscêcnia

o dia arrumando as camas

e nunca sabem

por que

as portas batem.



posted by franciscoslade 1:23 AM