O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

26.6.04  

80%, N'ALMA



1



Vez por outra, uma certa transparência. E nada que assuste mais. Tenho medo, levanto, bebo água. Lavo as mãos. As unhas sujas debaxo do filete na pia. Não adianta. Tudo, o gosto ruim de sempre, sempre; o apito no ouvido; as manchas de luz na vista; o ódio, a lubricidade. Há um motivo – claro, sempre há. Do mesmo, modo, sempre aqui. E, vez por outra,

uma certa

transparência.



2



Mas é difícil aceitar certas coisas.

E todo problema tá aí.



3



A matéria da vida é só a adaptação.

Ao tempo.

A si.

À biologia.

Não é à toa que o tempo verga o homem,

rouba-lhe altura,

faz-lhe a velhice curvada,

o coração raso,

e o olhar pesado

que

só encarar o chão.



E se não cabe? Se não amacia?

O que não se deforma na velocidade adequada?

E o que não serve?

Pois há o que é feito de outra coisa,

de material barato;

de matriz inferior,

liga torta de metais ruins.

O que é

simplesmente pior.



Objetivamente

– a prática da vida é a objetividade –,

pior.



Em prática e matéria.



Não digo,

– não posso –,

que talvez eu não tenha temperado

metal

com mais impurezas

além da quantidade descabida que ele já trazia consigo.

Não;

afinal,

tanta coisa trancada tanto podre feio tanto fungo e muco muito que se estraga de uso e o que nem tão vil (mas que pobre) e que estraga apodrece suja azeda gasta também.

Se eu tivesse coragem,

pediria desculpas a mim mesmo.



5. não, não errei o número.



Mas, apesar ser próprio dela,

seria tolice ainda maior,

negar o fato agora nu:

é matéria

rígida onde devia flexível;

feia

sem encanto e sem utilidade.

Que não retém

e também retém demais.

Porosa demais, áspera demais

e nunca no pouco em que é preciso.

Muito opaca.

Muito exposta.



Qualidade,

a mais baixa:

é só isso.



E não,

insistência

orgulho

resistência

rigidez

nada disso,

implicou em durabiliadade.



Calor e frio a umidade contínua a natureza oxidante do elemento porrada porrada porrada queda e chão infiltração e mais tudo que é tempo

,

carcomem rápido o material,

escurecem.

E o que não se acomoda,

se quebra.



Não, isso aí não presta, isso aí não é bom não!

(amigo, o senhor devia ter levado outro; trocar é impossível!)

Pra vida,

simplesmente ruim.



É pesado

espesso

mas trinca.



E

(geralmente depois de muito tempo)

eu entendo.

Entendi

– vez por outra, uma certa transparência.



O porquê da alta percentagem,

da concentração

de ferro n'alma.



Eu sei.

Já enferrujei demais.



O ferro não é um material nobre,

antes o elemento mais comum.

Ferro pesa.

Afunda.

Não dobra.



E o que não se acomoda,

se quebra.


posted by franciscoslade 1:00 AM