O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

24.8.04  

DEVOLVO



Em silêncio. Nada de solene, pode acreditar.



Eu, que sempre me soube o mais tolo.

Eu, que tenho fome que não se cura com pão e muito menos com a paga genorosa que tanto me quiseram dar pelo meu pão aqueles que aceitaram esse como o próprio sustento, ainda que por pouco tempo.

Eu, que sempre quis me desvencilhar das minhas crenças mais arraigadas – justo por sabê-las sempre equivocadas, absurdas, perigosas.

Eu, que cheguei a me acreditar livre delas, e mais ainda da necessidade delas, da vontade burra, e mesmo torpe, de alimentar o abismo impossível de suas equações.



Mas não, eu também ameaço a mim, eu também acredito nos estratagemas que, de tão articulados, parecem até de outro empenhado em me enganar.

Iludi-me como há muito não me iludiam. Acreditei exatamente no que contava não acreditar e, sob pretexto de evitá-lo, fiz exatamente aquilo de que pensei poder me resguardar.

Mas é mesmo pretensão demais achar que é possível se evitar a vida toda. Nisso reside toda a intransitoriedade da diferença nem sempre clara, nem sempre compreensível e, sobretudo, nem sempre explicável, entre os verbos ser e estar.



Tenho vergonha.

Da minha crença, claro!, antes de tudo, mas principalmente de tê-la mais outra vez – meudeus, e quantas ainda? – levado a cabo. Ter sido vergado sem nem perceber. Deixado que ela intercedesse por mim.

Tenho vergonha, não do que disse, mas de ter dito; não de ser, mas de vazar e querer vazar; não da minha verdade, mas por acreditar nela.

Não!, não mudaria uma palavra. Mas talvez as guardasse todas pra mim.



E é só a mim que eu devo desculpas por tê-las dado.

Por ter acredtado na palavra.



Não peço.



(Produto único do tempo,

o que sobra

é sempre

silêncio.)


posted by franciscoslade 4:09 PM