O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

10.8.04  

EU GOSTO DE ALGUNS CLICHÊS DESDE MOLEQUE

ou

TUDO EM DUAS DIMENSÕES:

O MENINO ESCONDIDO ATRÁS DA ÁRVORE

ou

MÁQUINA



[o garoto à beira de algum lugar. um precipício, digamos. da cama, de outro dia, algo do gênero. segura com força o braço de alguém dependurado e luta pra não escorregar com o peso]



Eu não posso soltar não posso soltar não soltar não se eu solto ele cai cai porra mas tá doendo ai alguém precisa me ajudar por que não aperece ninguem [grita] porque drogadrogamerda calma cara, calma que alguém vai chegar cê não vai cair cê não não [fala com aquele que cai] calma porra não posso não posso não tô agüentando socorro socorro [grita] cê não vai morrer [sussura] ai ai mas preciso deixar ele calmo calma você também por favor aparece alguém não me deixa aqui não eu e ele aqui ahhhuuuahuuuuahuuu não chorar não segura segura cansado não dá mais mas eu vou agüentar eu tô aqui calma eu ninguém vai cair





[o garoto. pele e osso, o estômago negativo na geografia da silhueta. fala com alguém, ajoelhado. em tom brando, tranqüilo. tenta acalmar a pessoa com quem fala como se essa pessoa estivesse desesperada. afaga os cabelos do outro enquanto fala.]



– Solta, cara, solta; tenta me ouvir, tenta escutar, deixa ir, deixa ir, cê precisa soltar, você precisa sair daqui, por favor, cê tá me escutando?, vem comigo, vem, [tenta forçar os dedos retesados do outro] por favor, por favor!, me escuta, cê tem que me escutar, olha, olha pra você!, quantos quilos, diz quantos cê já perdeu aqui?, diabos, fala comigo!,[chora copiosamente, continua com a voz embargada] cê tá morrendo, cê precisa voltar comigo, precisa, olha o que cê tá segurando, olha!, solta [controla a voz, pequena pausa, sussura com afeto] solta, solta, vem; você precisa deixar ir; eu não vou deixar você aqui; vem...





[o garoto deitado. com uma faca]



dóidóidóidóidói meudeusmeudeus como dói como dói com a faca só com a faca dóidóidóidóidói mas eu tenho que continuar senão arrasto ele comigo e isso dóidóidóidóidói não não posso não não vai cair cair comigo não não vai merda dóidóidóidóidói droga como dói como dói ainda falta muito merda o osso bate dóidóidóidóidói no osso quebra porra eu vou conseguir eu vou é só aguentar dóidóidóidóidói mais um pouco tenho que conseguir terminar antes eu tenho dóidóidóidóidói que porque eu sei que ele não vai largar nunca preciso separar dóidóidóidóidói o braço



[deitado, o garoto roça nervosa e incessantemente com a faca o toco exposto de seu outro braço. como quem corta. carne que ali já não está. não há mais sangue pra sair da ferida. Nem de todas as outras de seu corpo esfacelado e torcido num movimento improvável. Na faca, o brilho da grossa lâmina se perdeu sob a mancha negra antiga colagulada]


posted by franciscoslade 1:47 AM