O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

30.8.04  

PRIMEIRO





Antes de mais nada, eu tenho que me explicar a mim mesmo. Explicar por que posso fazer isso; no caminho até o computador, vinha pensando, Ora, mas é só a minha cabra vadia, que nem a do Nelson; mas ao sentar aqui, é verdade, é mesmo uma questão de poder. Criar.

Não, não é prentensão: é matemática. O mundo, tudo num simples piscar de olhos, não é? Pois bem: te restituo – ou te inauguro, já nem sei mais o que me ia pela cabeça no início da infância – te restituo a existência. Pronto, ao menos por essa conversa, aí tá você.

Pra começar, deixa eu dizer que pretensão é Faça-se a luz. Pois tenho que me lembrar que não posso julgar esse tipo de coisa pela pessoa que a “registrou”; se te faço presente, também faço suas façanhas. E toda essa história aí é muito engraçada.

Preciso te dizer que eu não gostava de você; durante uma boa parte da minha vida, não gostei. Mas isso ainda era, sem muito esforço de raciocínio, um certo receio e, assim, um resquício de crença. Nunca esperança, veja bem, e isso me leva adiante no quero dizer.

Logo que compreendi que não posso desgostar daquilo em que não creio, as coisas mudaram. Esqueci. O que nunca tinha sido um problema fundamental pra mim, deixou de freqüentar mesmo as minhas rodas de pensamentos mais imediatos. Com o tempo, apesar de não poder dizer que você era um assunto esquecido – rapaz, é incrível a importância que você tem pras pessoas!, não dá pra ficar totalmente alheio a ela –, a questão foi se tornando menos e menos recorrente.

Até que um dia, lendo Drummond, me dei conta de que, ainda exterior a questão de acreditar em você ou não, havia um problema maior; havia a afeição.

Porque é claro, se eu quisesse, apesar de todo meu sistema de visão – que me é caro e que te nega –, eu poderia escolher te alimentar. Me enganar – eu sou bom nisso, sabe?

No entanto, o que acontece é que eu não gosto de você. Sem ódio; não é que eu desgoste, só não gosto. Percebi, e aqui entra a hstória da esperança, que nunca tinha sido minha vontade que você existisse, que nunca eu havia sentido falta de você ou mesmo criado uma relação desse tipo com algo cujo lugar você pudesse tomar ou desfalcar. Sabe, eu não preciso de você. Por isso nunca te criei. Ou te deixer morrer.

Em certos aspectos, é até um ponto estético.

Eu sei, talvez o ódio lhe soubesse melhor. O medo. Eu sei que apenas nada é meio doloroso. Inclusive, admito que, pela minha leitura, sua personagem é muito carente! Você tem umas sacadas geniais, protagonizou umas cenas dignas de Hollywood e é mais bem sucedido que o Batman. Tenho que admitir. Mas é que eu acho que você uma personagem um pouco estapafúrdia… mixuruca. Não tem problema, eu também sou… Me acho até mais mal-explicado… até pior. Não fique triste; nunca fiz nenhuma das coisas divertidas que você já fez. Pô, aquele lance do mar foi demais! Quem me dera…

Eu não tenho hábito de fazer isso, não assim (quando eu era novo, era até um ponto de honra bater pé nesse assunto) mas agora, aqui, enquanto eu te faço existir nessa folha em branco como dizem que você fez comigo, pra provar que não há ressentimentos entre nós, eu peço: desculpa. Não por não acreditar em você – isso são outros quinhentos –, mas por não nutrir nenhum amor por você, mesmo numa ocasião extraordinária como essa.

Bom, agora acho que é melhor você ir, não? Eu tenho muito o que fazer… Você tem muita gente que te dê atenção, não se preocupe.

Adeus.



posted by franciscoslade 6:35 PM