O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

11.9.04  

QUARTA-FEIRA.



Descamação.

Do que fica, é assim: nunca soube

– me falta a medida –

se mais ou não do que se desprende.

[sabe, você sabe, eu tenho esse problema; o que se descola não deixo, não esqueço. E cada página pesa ainda como se fresca. Mais: se virgem. Mesmo que eu leia errado, que eu não reconheça, é no silêncio de mim mesmo, seja onde, que tudo aflora, brota continuamente na estação da memória - que pode muito bem, dependendo de como vejo, ser também a chaga da dúvida.]

Certeza mesmo

só a falta de opção,

pois é certo

que onde há mais de mim

é no erro que não maculou papel,

na idéia que não chegou

a virar tempo

e que o tempo levou.



Mas.

Sempre há (quase acredito);

tem uns dias em que eu

também

esbarro com meu próprio cão sem plumas.



Não atino

Se o meu sonho, sangue (grosso-resinoso-escurecido de ...amor?)

ou o dele

- também aqui falta medida.



Sei que é um cão que

fede

e manca

e caduca

e tem os olhos vermelhos e gordurosos

e saliva sem descanso

tem o sorriso banguela mais bonito do mundo,

tudo que eu posso querer conhecer.



É, eu também tenho o meu.

Fraco, pulguento, feio, menor. Vadio.

E no entanto, são só meus dedos que ele lambe

ávido

lambe.



Só a mim que ele procura

e evita.

E só da minha carne

é que ele se alimenta.



[Nossos encontros têm-se tornando tanto mais raros quanto exasperados]



Na última vez, ele me mordeu.

Na próxima,

espero que ele me devore.


posted by franciscoslade 4:01 AM