O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

9.11.04  





É uma doença degenerativa.

E solidão é mais uma necessidade sua que um sintoma. Um indicativo, no máximo. Decorrência?

Não, decorrência é algo no fundo de retinas mais cansadas que o resto do corpo,

ainda mais que as palavras –

e isso, ah,

isso é muito difícil.



Chega uma hora em que não se quer mais nada.



Isso também é conseqüência.

Um problema, é verdade. Mas nunca o problema.

Nem excesso de sono, escassez de zelo orgulho certeza ordem fome,

o gosto por troços tristes e bobos, cores fechadas,

escalas menores, salões vazios.



Uma hora. Em que adoece o dia.

Todo dia. Todos, progressivamente.

Menos notas, mais pausas.



Mais suspira que respira.

A melodia é simples. Nem.

Simplória.

:Mas vergonha também é algo que vai, que deixa, parte.

(Nesse caso, em outras direções, diversas daquelas da biologia pura.)



Deixa. Deixa que amem e que sorriam.

Deixa quem não pode a quem de direito.

Que falem e, ainda mais, que digam –

o que sempre foi dito sempre precisará ser escutado.

Direito. É justo.



Sempre importante lembrar que o que se degenera é o homem;

a doença, essa continua inteira,

em sua história

paralela e sempre transversal.



Sem livro, sem foto, sem relato.

Lá fora, algumas crianças correm na tarde;

ouve os gritos:, ouve só como riem:.

É isso que precisa ficar, afinal.

Faz sentido.



Tristeza chamaram a um troço muito maior, que tomaram só por um ângulo, um pedaço,

e por falta de nome melhor.

De entendimento e de jeito.



Chega uma hora.

Não é mais preciso se explicar.



Um homem,

um dia,

se percebe

feito de areia.

Abre a janela do ônibus e põe a cabeça pra fora,

o corpo.



Se desmancha ao vento.



Deixa levar.


posted by franciscoslade 3:12 AM