O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

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Seu dinheiro de volta!

17.1.05  

(janeiro)



[Imagina um homem que cai a vida inteira.]



Os barulhos dessa casa me assustam.

Até os meus,

mesmo óbvios como tudo mais

em mim.

O som que faz

o que não se pode carregar

ao ficar pra trás –

duas em três respirações.



[Imagina]



Há também tanto som

naquilo que insite em não ir,

o que, cravado em carne,

se arrasta atrás dos passos de

alguém apagando-o

s.

O que não se importa

se pode ou não ser carregado;

e que quando jogado fora,

se enrola nas pernas,

faz pesar

o chão.



(Abre, abre a torneira. Com a água que já vem quente, tenta refrescar a testa que dói, a palpebra que fecha. A língua inchada de sangue. Qualquer palavra que seque na boca. Pode-se entender a lágrima como o suor dos olhos? Talvez isso pudesse explicar muita coisa. Tornar lógico o que só assim. Calma. Tenta ainda, mais outra vez. Com o resto de alma.)



[a um homem que cai]



(Da mesma forma, não seria o sorriso, esse que me nasce amiúde e sem porquê exato, uma tentativa da boca de aplacar o calor do que guarda? Isso também: muita coisa.)



Há algo-mais perto daqui.

No meio de todo

esse lixo –

o que cai e o que arrastado –

percutindo o caminho,

eu posso ouvir.

Mas foge sempre.

Ou espera

e sou eu que ando sempre

ao seu redor.

Um som que não muda,

nunca mais perto ou

mais longe.



De todos,

o que mais assuta.



[e cai a vida inteira.]

[Imagina]



posted by franciscoslade 3:46 PM