O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

22.1.05  

SOLUÇO



é uma espécie de espasmo. Eu li.



Os homens nascem do vácuo ou simplesmente o vazio os toma a todos a certa altura da vida? Sempre a mesma, ou há alguma regra intrincada e intangível como biologia ou desistência? Fica cada vez mais claro que minhas dúvidas são tão sem importância e significado quanto minhas certezas. E, no entanto, tenho certeza, cada vez duvido de mais coisas.

E essa necessidade de fazer qualquer coisa, de inventar o que fazer porque não há o que ser feito, essa vontade de álcool drogas palavras amores, tudo isso é pra enganar o vazio ou é mesmo pra me esvaziar mais rápido? Ah, e que fetiche mais funesto, esse que me assalta de nunca mais na vida usar um ponto de interrogação! Mas nem isso: quero já saber ou simplesmente abdicar deles pois que tudo é pergunta?

Foge a ser apenas fruto de relações econômicas e sociais ou de culpa minha vontade de levar um tiro, uma facada no intestino, uma morte lenta dolorosa consciente; ou de matar alguém; ou de fugir correndo por aí o resto do meu tempo até gastar as pernas e a vida. De apodrecer logo por vontade própria, com método, com objetividade, velocidade, pra não deixar os dias fazerem o trabalho no seu ritmo incômodo e fora de controle.

Não tenho nada, amor, religião, filho ou bem material. Nada dessas coisas que dão aos homens mentiras palatáveis – poder responsabildade necessidade –, mas, se tivesse, duvido que encontrasse algo que mudasse a clara noção de que é preciso inventar motivos pra viver, porque viver não tem motivo algum. Ou talvez eu apenas seja idiota demais pra inventar bons motivos – e pra acreditar neles.

Tem dias que passam aos bocados, pastosos.

Devo desculpas ou satisfações a um monte de gente. Mas não sei pedir umas nem dar outras. Isso também não muda nada. Não me lembro de ter prometido nada. Isso importa?

Eu sei que eu já disse tudo isso. De várias formas e muitas vezes. Sou mesmo monotemático. Chato pra caralho. Mas, quer saber?, já não tenho porque não ser sincero. E esse pode ser o problema. Inventar essas coisas aí daria muito trabalho.

Insisto: ainda me assustam os barulhos na casa. Os conheço bem demais, a geladeira, o interuptor, cada porta. Por mais que eu fique parado e prenda a respiração, eles nunca vão parar. Eu tento. :Ainda como só por falta do que fazer; se triste, por obrigação, senão, pra passar o tempo.

Pior de tudo, já nem fico mais impressionado por ser tão igual a todo mundo. Outro dia me disseram: mas você não é único. Putz, pode apostar que não. Não sei se conheço quem o seja, nem mesmo se o há, mas com certeza não penso isso quando me olho no espelho. Talvez quando tenho dor de barriga. Ou naquela vez em que tomei porrada de três caras na rua. Coisa de momento: compreensível. Mas é só. Se imaginar especial é outra coisa que dá muito trabalho. Eu confesso que quando entendi que todo mundo é lamentavelmente a mesma coisa, variação sobre o mesmo tema se tanto, me espantei. Hoje, nem isso.

Paro por aqui. Assim mesmo, sem final e sem conclusão.


posted by franciscoslade 6:09 PM