O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









Livros publicados

Esse é meu primeiro romance, Domingo.




Também tô na antologia Paralelos:

0




Para ler também

A menina no deserto
Recheio de quê?
Malandro é o gato
Prosa Caotica
Wry
Pariscope Blues
Encefalopsia
Suum cuique
moca
Verborrágica
bináriogeral
ainda ela
Natureza complicada
mundoestranho
Paralelos


Arquivos




This page is powered by Blogger.

















Seu dinheiro de volta!

12.6.05  

PACIÊNCIA,

moço, paciência.

Quando você se chamou Carlos,
te disseram que não,
não fizesse nada.
Que esperasse,
claro após escuro após claro,
e tudo de novo.

E você esperou.

E entendeu que é sempre algo mais que fica,
algo mais que porra,
qualquer coisa que não volta.
Mas pode isso continuar contigo?
Ou será necessário mesmo que seja roubado?

Tudo, menos fácil.
Você tentou dizer,
eu sei.
E eu mesmo não sei se entendi
ou se te achei
doente
egoista.
Burro.

Nessa espécie de
esperança às avessas no tempo,
âncora num ontem qualquer,
uma – ainda mais impossível –
cujas amarras se fortalecem à medida
que outros ontens a levam pra longe.

Não, nunca te disseram,
letra à letra,
se o o que se vai
levam
ou se evapora. Talvez, talvez.
Ou talvez a âncora.

Mas nunca foi muito o que você pediu.
Provavemente menos do que.
Um ou dois sorrisos,
na rua, outro dia, pra si, lembrando,
um ou dois
numa vida inteira.

Você me contou que
ter esperança no passado
sufoca
os dias e as horas
que ainda esperam pra acontecer.
Antimatéria da esperança:
aos seus olhos,
a narrativa evolui chata,
previsível,
cansativa.

Então você espera.
Não precisa ver.
Você não vai estar lá – nem vai saber.
Mas,
se só um ou dois numa vida,
talvez você tenha
, afinal,
conseguido explicar

a espera sem fruto,
os retalhos de carne dados,
um ou outro olhar
mais demorados.

Paciência, moço,
paciência.

Eu também não acredito nessa virtude,
mas,
sossegue,

paciência.


posted by franciscoslade 11:29 AM