O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Seu dinheiro de volta!

19.7.05  

TRÊS MINUTOS DE PALAVRAS

[Solta a fumaça:]

– E você sabe o que isso me lembra? A tal menina da bicicleta.
– Hã? Ah. É. Talvez. Por causa do muro tomando rápido meu destino e meu campo de visão.
– Ahahahaha. É um palhaço mesmo. Mas cê já pensou no trajeto dela? Digo, em como foi que a cada longo segundo ela se sentiu não conseguindo fazer a única escolha que podia fazer.
– Foi medo. É fácil entender o medo. Né? O que é irônico, no fundo, é se arrebentar justamente por conta do medo de.
– Trágico. Se ela tivesse tido mais tempo, talvez.
– Não. Ela não faria algo diferente do que fez. Talvez em outro momento da vida, mas nem sei. E não é trágico. É? Pra mim é só essa sua mania de ver sublime no trágico. E de ver trágico em tudo.

[Dá o último e joga o filtro. Pisa.] [Me olha devagar. Solta de novo.]

– Quero dizer é entendo. O mecanismo do pensamento dela enquanto descia a ladeira sem freio. Mas sim, eu acho trágico que ela tenha esperado um melhor momento que não viria.
– Tenho pensado muito naquilo do pântano.
– É uma bela figura. Eu gosto dela.
– Vou usar. Mas o que acontece é que é muito sincera.
– Talvez seja por isso que não há melhor momento. Pra pular da bicicleta. O anterior é sempre melhor, melhor, e vão todos passando assim [faz com as mãos o tempo passando] e enquanto isso você não consegue deixar de ver que o melhor momento foi o primeiro.
TUM – Se eu fosse grego, acharia que cê tá falando da vida.
TUM – Palhaço. Não sou tão trágico. O pântano, sim. Você devia fazer uma TUM camiseta: entre por sua conta e risco.
TUM – E sou eu o palhaço...

[Só sorri]
[As batidas na porta continuam. Não nos mexemos pra abrir]

TUM – Deixa. Deixa baterem.
TUM
TUM
TUM

[Até que param]

– Melhor. Deixa estar.


posted by franciscoslade 7:13 PM