O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Seu dinheiro de volta!

30.8.05  

UM CIRCO.
O INCOMPREENSÍVEL.

E se eu entendesse,
talvez achasse graça.

Do palhaço inchado
que, parado no picadeiro,
só espera.

Da mão na faca,
dente que raspa no mármore
– e é de noite, tão de nooooite,
que ninguém vê.
Nem a faca nem a bolinha vermelha
(nariz de um outro palhaço
menor
e
mais
turvo)
que ela trazia na ponta –
e que me ficou na pele alva da barriga.

Ia até acenar pra bailarina triste
em cima do burrico
que insiste em pastar.

Pro monstro
verde feio cruel
que,
do espetáculo,
veio sentar do meu lado.
Esse que destrói tudo
e que baba ignóbil
e que é vil
e que é burro,
mas a quem
deram
a chave da própria jaula.

Ia rir
da mulher barbada.
Do Homem Mais Cansado do Mundo.
Daquele outro sujeito,
espécie de reverso de Mídas,
que espalhava câncer
em não importa o que tocasse
e
que
chorava
de um jeito que ninguém ouvia
e que se podia jurar
que ria.

Se eu entendesse.

Podia até achar graça
e
assim
deixar de ser
a maior piada,
de me divertir,
mais do que com o espetáculo,
com a minha própria cara.

E aplaudir,
com o resto do povo,
com o monstro
e com o homem do amendoim.

Se.

E não.

Um número depois do outro,
tudo muito
complicado
pra um sujeito simples que
nem eu.

Ou será
que é tão fácil
quanto o que você me conta?

Como gran-finale,
isso faria de tudo ainda mais engraçado.

Todos gargalhariam,
AHAHAHAHA.

E eu com eles.

Mas só
se.


posted by franciscoslade 2:50 AM