O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Seu dinheiro de volta!

2.10.05  

DE TAMANHOS

Você me pergunta.
Tenho que te contar:
eu também.

Sei já que não
sei
o alcance dos meus braços;
mas isso te machuca;
você me pede
pra mentir e
te apertar.

[Um dia pensei que minha pretensão talvez fosse carregar gente pra fora de um incêndio. Que, pra não morrer queimado como aquele amigo do meu pai – medo de criança, sabe? –, eu tinha que levar mais e mais gente de uma vez só. E, depois, ninguém pode mesmo fazer duas viagens. Achei que não: eu é que não conseguia sair de lá, que fui pro lado errado. Algo assim. E, depois, quem sou eu... Queria perguntar: será então o contrário? Arrasto quem consigo pro fogo?]

Porque não posso abrigar o mundo inteiro – eu disse um dia.
Mas queria poder?

Quanto à fome,
bem,
talvez ela possa acabar, afinal.
Talvez ela tenha tamanho.
Mas isso é bom?

Você gostaria de um homem sem fome?

Sobram só mais duas questões.

É pequena a medida daquilo que vêem meus olhos.
Talvez seja a única que eu conheça.
Contudo, não saberia dizer
se é certa.

Você insiste em me dizer que não.
Já quase acreditei. Mas senti como se,
assim,
te fizesse falsas promessas.

E, pense bem, seria justo:
a estreiteza do caminho
pela estreiteza desses dois rasgos escuros que me mostram o mundo;
pequenez por pequenez.

Finalmente, as pernas.
E é isso que, você não entende,
eu quero descobrir. O quanto.
Até onde. Se rápido.

E em que lugar.

[Você me diz que não gosta do lugar onde me coloco. Se me coloco algures, é por quei ali me vejo. E, se você não me vê lá, também não é só porque o lugar em que você me enxerga é outro? Sou eu que me enxergo num lugar em que não tô ou você que não me enxerga bem do lugar de onde você olha?]

O fato é que não posso não procurar.
Não me peça isso.
Nem meça minhas pernas pelas suas.


Descendo a escada,
emburrada,
você, de tênis desamarrados,
faz a vida parecer um de meus textos
– bobos e tristes –
quando pára pra que eu
te ajeite os cadarços.

Talvez a coisa mais bonita que alguém já esperou de mim.
De qualquer pessoa.

E eu poderia tomar o tempo que quisesse pra amarrá-los,
eu sei.

Você esperaria.
Mas
tenho que te contar:

(olha a quem você foi pedir ajuda)
eu não sei dar laço.


posted by franciscoslade 10:05 PM