O cara que escreve aqui se chama Francisco Slade. Um cara aí. Se quiser falar com ele, é só clicar no nome. E, sim, Slade é nome mesmo.









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Esse é meu primeiro romance, Domingo.




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Seu dinheiro de volta!

21.10.06  

INIMIGO

Se é assim,
seria melhor que
meus passos deixassem,
meio centímetro que fosse afundado no chão,
meu caminho marcado em fogo,
cada passo,
eu.

Que do trajeto calcinado,
– como do cheiro gorduroso que, em certa medida, é o meu próprio corpo –
se aproximar ninguém pudesse.

E meus beijos, que eu mesmo não conheceria,
que queimassem também,
que soubessem azedos até pra mim,
que dessem doença, fizessem sangrar

– como um dia já fizeram.

E, finalmente
– e eu sei como espero –,
minha voz se fizesse clara e nisso se fizesse
insuportável como sempre foi e teimam em não ver,
de forma que não houvesse possibilidade de querer ouví-la.

E o cheiro o gosto os passos a presença
eu.

Aí seria como tem que ser. Como era.
Não isso. Não essa piada, essa brincadeira.

Não é doce, não é bom.
– Nunca fui.

Me alimentaria bem de ódio, aliás, não quero mais nada. Sinto falta, minha língua.
Verdade, de novo.
Foco. Razão. Norte.
E mais nada.

Eu.


posted by franciscoslade 12:52 AM